Isso acontece com mais frequência do que se imagina — e muitas vezes sem aviso.
Um surto elétrico, mesmo que dure menos de um segundo, pode queimar aparelhos sensíveis como TVs, roteadores e consoles.
A boa notícia?
Existe um dispositivo específico para impedir esse prejuízo: o DPS.
Neste guia, você vai entender:
O que é e como funciona o DPS;
O que dizem as normas brasileiras (NBR 5410 e IEC 61643-1);
Quando e por que usar um DPS exclusivo para sua TV;
E quais soluções extras podem reforçar sua proteção.
Vamos direto ao ponto — sem complicação.
O DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos) é um equipamento projetado para proteger aparelhos eletrônicos contra sobretensões transitórias, como picos de tensão na rede elétrica ou descargas atmosféricas que podem chegar pelos cabos de energia ou de sinal (TV, antena, telefone).
Em instalação típica, o DPS é ligado entre a fase/neutro e o terra; quando ocorre uma sobretensão, ele desvia essa energia excessiva para o aterramento antes que atinja o equipamento protegido.
Caso a sobretensão exceda sua capacidade, o DPS “se sacrifica” – queima ou dispara um mecanismo interno – interrompendo o surto e preservando o aparelho.
Assim, ele atua como primeira linha de defesa contra raios e transientes elétricos.
A aplicação de DPS em edificações segue normas técnicas brasileiras.
A NBR 5410/2004 (Instalações Elétricas de Baixa Tensão) e a NBR IEC 61643-1 definem critérios de seleção e instalação de DPS em função do risco de surtos.
Segundo especialistas, “o DPS é o dispositivo preconizado pela norma ABNT 5410 e 5419, para proteger instalações e equipamentos eletroeletrônicos contra surtos… e sim, seu uso é obrigatório”.
A NBR 5410, em seu item 5.4.2.1, estabelece que todas as edificações alimentadas total ou parcialmente por linha aérea, situadas em áreas com mais de 25 dias de trovoadas por ano (zona de influência externa AQ2), devem ser providas de DPS.
Além disso, a norma IEC 61643-1 classifica os DPS em classes I, II e III, indicando o nível de exposição: DPS de classe I são recomendados para locais de alta exposição (por exemplo, entrada de prédio protegido por para-raios), enquanto DPS de classe II/III servem a exposições moderadas a baixas.
Sua TV pode queimar mesmo sem um raio cair na sua casa.
Isso acontece porque os surtos elétricos chegam por diferentes caminhos:
Descargas atmosféricas próximas (raios que atingem a rede elétrica);
Manobras na concessionária (chaveamentos e religamentos de energia);
Falhas internas (curtos ou problemas em eletrodomésticos da casa).
Esses eventos geram picos de tensão que chegam a centenas ou milhares de volts — muito além do que uma TV ou roteador pode suportar.
Como destaca o site Eletricistas em Santos: “oscilações de energia podem danificar eletrodomésticos e até representar riscos à segurança”
Além do DPS instalado no quadro elétrico, vale usar camadas extras de proteção para preservar seus aparelhos mais sensíveis — como sua TV, home theater ou videogame.
Um filtro de linha de qualidade ajuda a proteger contra:
⚡ Picos de tensão (absorve surtos antes que atinjam o aparelho);
🔇 Ruídos elétricos (melhora a qualidade de imagem e som);
🔌 Sobrecarga (evita queima por excesso de corrente).
Como observa o site Eletricistas em Santos, “instalar um filtro de linha… é uma das maneiras mais eficazes de proteger equipamentos”, pois ele “absorve e dissipa picos de energia antes que causem danos”.
Os filtros de linha de boa qualidade seguem padrões internacionais (como UL 1449) e incluem indicadores de status para avisar quando o MOV queimou.
✅ Vantagens:
Custo acessível;
Fácil instalação (plug & play);
Proteção básica contra surtos e interferência (EMI/RFI).
⚠️ Limitações:
Os componentes internos (MOVs) se desgastam com o tempo;
É importante substituir o filtro assim que o indicador de proteção apagar.
Muito usados no passado, os estabilizadores caíram em desuso.
Hoje, eles oferecem pouca vantagem frente aos filtros de linha modernos.
❌ Problemas dos estabilizadores:
Reagem lentamente aos surtos;
Não filtram surtos de alta frequência;
Desperdiçam energia (6–8%);
São grandes, pesados e barulhentos.
📝 Em resumo: “Um bom filtro de linha protege melhor e consome menos energia do que um estabilizador.”
Os no-breaks mantêm a TV ligada em caso de queda de energia e oferecem proteção adicional contra surtos e instabilidades da rede.
✅ Vantagens:
Evita desligamentos bruscos (ideal para eventos ao vivo, reuniões ou jogos online);
Filtra ruídos e estabiliza a voltagem de saída;
Alguns modelos incluem correção do fator de potência e filtros EMI/RFI.
⚠️ Desvantagens:
Alto custo;
Exigem manutenção periódica;
São indicados principalmente para continuidade de energia, não como primeira barreira contra surtos.
São aqueles dispositivos que se conectam diretamente à tomada da TV.
Modelos populares incluem Belkin, Elgin e Clamper.
✅ Vantagens:
Fáceis de instalar;
Proteção localizada (apenas para o aparelho conectado);
Úteis como última camada de defesa.
⚠️ Limitações:
Devem ser complementares ao DPS principal (instalado no quadro);
Necessitam coordenação em cascata com outros dispositivos, para funcionarem de forma eficaz.
A norma NBR 5410 não exige DPS individual para cada aparelho.
No entanto, em casos de risco elevado ou equipamento muito sensível, é justificável usar DPS adicionais.
Por exemplo, se a residência está em zona de alta incidência de raios (conforme cita a NBR 5410) ou recebe energia por rede aérea sem proteção externa, pode-se instalar um DPS complementar no circuito da TV.
Nessas situações, o DPS dedicado atua como classificação inferior (III) para equipamento sensível, coordenado ao DPS de entrada.
A própria norma menciona que “poderão ser necessários SPDs adicionais para proteger equipamentos sensíveis; estes devem ser coordenados com SPDs a montante e jusante”.
Regiões com Alta Incidência de Raios
Residências em áreas tropicais ou rurais, onde há muitas tempestades ou rede aérea sem proteção externa.
Rede Elétrica Instável
Locais com quedas frequentes, oscilações ou surtos recorrentes.
Equipamentos de Alto Valor ou Função Crítica
TVs muito caras, monitores profissionais, sistemas de segurança ou resgate que não podem falhar.
O DPS principal deve ficar próximo ao ponto de entrada da rede ou no quadro geral de distribuição, de preferência logo após o disjuntor geral.
Dessa forma ele protege toda instalação e provê proteção comum-modo e diferencial.
O DPS suplementares pode ser instalados em subquadros ou mesmo em tomadas (embutidos em réguas), desde que coordenados.
Os cabos que ligam o DPS devem ser os mais curtos possíveis, sem curvas ou espirais, para minimizar a impedância.
Qual tamanho e bitola de cabo usar?
A NBR 5410 recomenda comprimento total ideal abaixo de 0,5 m.
Quanto à bitola, para conexões fase/terra o fio deve ser pelo menos 4 mm² de cobre.
Se o DPS protege contra descargas diretas (clima severo), recomenda-se 16 mm².
Se não puderem ser tão curtos, há arranjos alternativos (Figura 15-B da norma).
O terra é tão importante quanto o próprio DPS. Sem um aterramento eficaz, nenhuma proteção funciona direito.
Conecte o terminal de terra do DPS ao Barramento de Equipotencialização Principal (BEP);
O sistema de aterramento deve ser:
Robusto (resistência baixa),
Uniforme (toda a instalação conectada ao mesmo potencial),
Sem loops de terra (evite caminhos circulares entre terras diferentes).
🚫 Um aterramento mal feito anula a proteção e pode até piorar o risco de danos.
Quando há mais de um DPS na instalação, eles devem ser coordenados — ou seja, funcionar em conjunto.
Exemplo de cascata:
Classe I: entrada do imóvel;
Classe II: quadro geral;
Classe III: ponto de uso (TV, computador etc.).
💡 Importante:
Se os DPS não forem compatíveis, o da frente pode “abafar” a atuação do seguinte ou deixá-lo vulnerável.
Dica prática:
Use modelos compatíveis de mesma marca ou siga as orientações do fabricante para coordenação.
Proteger sua TV (e outros eletrônicos) contra surtos não é só uma questão de segurança — é investir na durabilidade dos equipamentos.
👉 Um DPS no quadro elétrico, bem instalado e aterrado, já cobre boa parte da proteção da casa.
👉 Mas em locais com alta incidência de raios, redes aéreas instáveis ou se sua TV for um equipamento de alto valor, reforçar a proteção local faz toda diferença.
Em resumo:
Filtro de linha: ótimo custo-benefício, proteção básica para o dia a dia;
DPS plugável: camada extra para proteger direto na tomada;
DPS coaxial: essencial quando há antenas externas;
DPS no quadro + aterramento correto = base obrigatória.
📌 Seguindo as normas técnicas (NBR 5410 / IEC 61643-1) e aplicando boas práticas de instalação, você constrói um sistema de proteção em camadas — simples, eficiente e confiável.
Conclusão: Se o risco for alto ou a TV for valiosa, sim — vale a pena usar um DPS dedicado.
Melhor prevenir do que pagar caro depois.
Milton é instalador de TV profissional, natural de Santos (SP), com mais de 25 anos de experiência em atendimento residencial.
Formado pela Escola Politécnica Treinasse, construiu ao longo da carreira uma base técnica sólida, aliando conhecimento à atenção com o cliente e foco total na segurança.
Começou sua trajetória nos anos 1990 e, desde então, acompanhou de perto a evolução das tecnologias de áudio, vídeo e elétrica residencial.
Além de seu trabalho em campo, atua como colaborador nos sites Instalador de TV e Eletricista em Santos, onde compartilha dicas práticas e conteúdo técnico sobre tecnologia para residências
Seu objetivo é facilitar a vida de quem busca praticidade, segurança e qualidade em suas instalações.